domingo, 24 de outubro de 2010

Afinal, porque engordamos?

Vivemos numa época em que o consumo de alimentos hipercalóricos acompanha as comodidades da vida moderna, com pouco esforço físico. O resultado é previsível: excesso de peso e obesidade estão a transformar-se numa situação cada vez mais frequente.
 
A causa básica da obesidade é um desequilíbrio entre a ingestão calórica e o gasto de energia, mas os mecanismos que levam a este desequilíbrio ainda não estão totalmente esclarecidos.

Os mecanismos que controlam o gasto de energia e uma série de fatores que regulam o apetite, obedecem a uma determinação genética. Entretanto, estudos realizados têm mostrado que, para a grande maioria dos indivíduos, os fatores genéticos contribuem com cerca de 1/3 de importância, ficando os outros 2/3 para os fatores ambientais.

A importância dos fatores ambientais fica bem clara ao analisar o aumento considerável da obesidade nos últimos 20 anos, que evidentemente não obedece a nenhuma mudança genética. Tal fato deve-se unicamente às modificações no estilo de vida das populações, ou seja, aos fatores ambientais.


Menos atividade física

Dentre os principais fatores responsáveis pelo aumento dos casos de obesidade encontram-se os recentes confortos da vida moderna: o automóvel, o elevador, o controle remoto, o telefone e uma série de invenções que determinaram uma redução brusca e intensa da atividade física.

Uma redução da atividade física significa menor gasto energético e portanto, acumulação de energia excedente sob a forma de gordura.

Alteração dos hábitos alimentares

Outro fator ambiental importante na génese da obesidade é a mudança dos hábitos alimentares, resultado, entre outros, de uma cada vez maior oferta de alimentos. Os alimentos fornecedores de energia são os hidratos de carbono, as proteínas e as gorduras. Destes, os dois primeiros fornecem 4 calorias por grama, enquanto que as gorduras fornecem 9 calorias/grama.

Há cerca de 100 anos, o alimento básico da maioria das populações em todo o mundo eram os hidratos de carbono complexos, nutriente encontrado nos alimentos de mais fácil acesso, como o trigo, milho, grãos, cereais e raízes em geral. Este nutriente correspondia a 60% do total ingerido na dieta da época.

Com o progresso começou a haver uma maior oferta de alimentos industrializados, as refeições tornaram-se de preparação e ingestão mais rápida, sem esquecer o aparecimento do chamado "fast food". Estes alimentos têm como característica principal o alto teor de gordura e/ou proteína e uma baixa oferta de hidratos de carbono complexos. Inverteu-se portanto o padrão normal de alimentação.

Se levarmos em conta que 1 grama de gordura contém 9 calorias, é fácil entender quem é o vilão da história. Se não tem noção da quantidade de gordura que existe nos alimentos, ficam alguns exemplos para refletir: um simples jesuíta tem 40g de gordura, um mil-folhas 30g de gordura, um bolo de arroz tem 8g de gordura,..., e os exemplos não teriam fim! Multiplique as gramas de gordura por 9 e fica a saber quantas calorias esse alimento tem, provenientes apenas da gordura. Depois lembre-se que ainda falta contabilizar o açúcar.

A gordura está escondida, em grandes quantidades, em alimentos que a maior parte das pessoas nem desconfia. Deve por isso estar atento aos rótulos dos produtos alimentares embalados.

Além de ser mais calórica que os outros dois nutrientes energéticos, a gordura tem uma extrema capacidade de agradar ao paladar e, traiçoeiramente, um baixa capacidade de provocar sensação de saciedade. Por outras palavras, é fácil e saboroso comer gordura.

A chave de uma boa saúde é seguir uma alimentação equilibrada e variada, com diversos tipos de alimentos. Comer alimentos errados e abolir refeições pode privar o corpo dos nutrientes vitais para que ele funcione adequadamente.

O ideal seria organizar o tempo (e o hábito) para poder fazer de quatro a seis refeições diárias. O pequeno-almoço é especialmente importante. Ao acordar, o corpo necessita, antes de tudo, de glicose, para que o cérebro se possa concentrar. E quem “pula” refeições acaba por fazer picos de glicose. Resultado: cai o rendimento intelectual e aumenta a irritabilidade. Se o período de jejum for prolongado, o organismo acaba por utilizar as reservas de proteínas e, consequentemente, perde massa muscular. As desagradáveis oscilações de humor e mau hálito são outras das consequências prováveis, para além da fome devoradora que sentirá na próxima refeição, e que fará com que coma muito mais do que precisa.

Uma dieta ou plano alimentar tem como objetivo recuperar o equilíbrio energético e alimentar, associado ao prazer de comer, que é a única forma de manter o indivíduo satisfeito e capaz de controlar a sua compulsão por alimentos mais calóricos.


Fonte: Nut. Florbela Mendes
Lisboa - Portugal
Site: www.florbelamendes.net

sábado, 16 de outubro de 2010

Peso Emocional

Por Laura Cavalcanti, psicóloga*

Emagrecer é muito mais do que eliminar peso corporal. Não basta ter vontade. O emagrecimento está infinitamente ligado aos processos psíquicos e vivenciais. Todo desenvolvimento acontece nas relações, portanto, o corpo não pode ser excluído dessa grande dimensão da expressão humana. Nossas alegrias, tristeza e angústias constroem a nossa história e ajuda a definir o caminho oscilante do corpo que ganha e perde peso segundo nossas experiências relacionais.
Na maior parte das vezes, o foco de atenção permanece rígido em direção ao corpo concreto, exigindo sua mudança imediata apesar da constatação periódica do insucesso estratégico sobre o foco definido. Como resultado, recaímos sobre um caldo de ansiedade que nos torna refém de uma exigência intrínseca e ilusória onde o corpo assume o dever de ser magro, independentemente de suas emoções.
Quem já não ganhou ou perdeu peso emocional? Esse dado informativo, certamente percorre o currículo íntimo de cada um de nós. O corpo responde as emoções e oscila junto com elas. Sendo assim, é preciso identificar as razões que nos remete a esse quadro, pois do contrário, qualquer tentativa para perder peso, somente afasta o peso e não o elimina. A representação simbólica permanece dando notícias através do corpo e apelando ao seu dono o cuidado mais profundo a respeito do que realmente está pesado.
Lembrar que não somente as emoções ditas negativas são os vilões da distorção corporal. Lidar com todo um espectro emocional é exercício diário, pois demanda a capacidade de discernir e traduzir as emoções em forma de sentimentos passíveis de serem administrados. Quando não traduzidos, ou seja, quando não percebidos, identificados e nomeados, corre-se o risco de permanecer no campo da vulnerabilidade, tornando-se presa fácil para a tão conhecida exacerbação alimentar.
Comemos por ansiedade, na medida em que nos fragilizamos perante emoções não identificadas, sejam elas positivas e/ou negativas. Essa fragilidade fala de uma inabilidade para traduzir a vivência da emoção em sentimento reconhecido. Para melhor entendimento, uma sensação de alegria ou de tristeza pode nos causar desconforto pela inabilidade perceptiva. Sentimos e não sabemos o que sentimos. Algo nos retira do lugar seguro e confortável promovendo uma alteração inconsciente, criando uma ansiedade intrínseca a fim de controlar a onda de emoção. Nesse momento é importante observar o fluxo interno buscando nomeação adequada para a situação vivida. A partir daí, é possível enfrentar o sentimento, pois a emoção não tem forma, mas o sentimento oferece uma direção. Se feliz, podemos compartilhar a felicidade e assim distribuir a energia gerada de forma saudável e produtiva. Se triste, podemos também compartilhar com a intenção de dissolver a energia acumulada por conta de uma experiência desconfortável. Enfim, não importa se a emoção é boa ou ruim, o que vale é o destino que damos a ela. Na falta de uma direção, o canal para dissipar o acúmulo energético, acaba sendo pela conhecida via de conforto e alívio. Por pouco tempo, é lógico! Recorremos à comida na intenção de encontrar um ponto de equilíbrio entre a fragilidade do que vivemos e a inabilidade do que somos capazes de administrar.
Ganhar ou perder peso depende muito da nossa trajetória enquanto ser humano e de todo aprendizado sobre as experiências relacionais. Pensando assim, vale questionar: o que pesa mais, o corpo ou as emoções?


Fonte: http://bemleve.com.br